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Escrever por obrigação não.
E não me apetece escrever nada. Não quero remoer constantemente o que sinto ou o que penso.
Faz-me mal. Pelo contrário, preciso não pensar, não sentir. (quantas vezes já repeti isto?)
Porque saber que vives, que trabalhas , que estás bem, que andas pelas ruas, que estás em casa, que vais às compras, que te sentas ao computador, que te deitas numa cama, que comes, que pegas num cigarro, que agarras nas tuas máquinas….faz-me um mal terrível sabes? E não há como fugir a isto.
Porque também eu vivo e trabalho, também vou às compras, também me deito na cama, imensa, também como, também agarro num cigarro.. mas tudo simplesmente acontece, passa como as horas que passam, e sinto-me terrivelmente mal.
Sei que estou só.
Representa-se a vida. Usam-se máscaras e finge-se. Parece até que está tudo bem. Indo bem. Quando a realidade é que o tempo estagnou naquela noite terrível e a dor é igual e as saudades crescem a cada minuto.
Pensar em prazer é sentir a dor. Que prazer?
Tudo que se faz se percebe incompleto.
Fujo.
E sobrevivo de migalhas, daquelas que tu me dás.
Na categoria coimbra
Etiquetas: dor, escrever, fingir, fuga, máscaras, sobrevivencia, solidão, teatro, tempo
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